EAD e AVAs

A educação a distância (EAD) é uma forma ou modalidade de educação cuja principal característica é a separação espacial física entre professor e estudante, de tal maneira que esses atores não se encontram face-a-face, como em situação de sala de aula da educação presencial.

Por isso, a EAD se constitui em uma forma sistemática de auto-estudo mediada pelo uso intensivo de tecnologias comunicacionais. Atualmente têm se destacado o uso daquelas tecnologias chamadas TICs (tecnologias de informação e comunicação) ou NTICs (novas tecnologias de informação e comunicação), devido a sua qualidade de instrumento comunicacional digital, bidirecional, ágil, em redes que ocorre no espaço virtual ou ciberespaço.

Entre as características da EAD, podemos ressaltar:

  1. Uso intensivo de tecnologias da informação e comunicação com sua integração aos processos educacionais (Belloni, 2002), como veículo para a comunicação (Silva, 2001)
  2. Combina técnicas de gestão e marketing na Educação (Belloni, 2002);
  3. Aluno e professor não se encontram juntos, face a face, como na situação usual de sala de aula (Moran, 2002);
  4. Forma sistematicamente organizada de auto­estudo (Moran, 2002);
  5. Mediação do processo de ensino-aprendizagem por tecnologias (Moran, 2002) ou sistemas tecnológicos de comunicação bidirecional, de massa ou não, que substituem a interação pessoal entre professor e aluno na sala de aula pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem autônoma dos estudantes (Aretio, conforme Zentgraf, 1996, p. 10);
  6. Professores e alunos se encontram separados espacial e/ou temporalmente, mas estão  “conectados, interligados por tecnologias “ (Moran, 2002);
  7. O professor é o elemento chave das equipes interdisciplinares que se constituem para o planejamento do curso, a elaboração e produção do material instrucional ou de sua execução (Zentgraf, 2000), de tal forma que se altera a concepção de professor, que passa a ser um supervisor, um animador, um incentivador dos alunos na instigante aventura do conhecimento (Moran, 2002);
  8. Altera o conceito de presença, introduzindo a noção de presencialidade (Moran, 2012);
  9. Altera o conceito de curso e aula, impondo-lhes maior flexibilidade e levando-os a incorporar a noção de pesquisa e intercâmbio (Moran, 2002)

Almaraz, fundamentado em Talcott Parsons (1975, apud Amaraz, 1999), afirma que a concepção de uma educação emancipadora e autônoma, base da criação e existência da EAD, tem raiz na Revolução Educativa. Precedida pelas Revoluções Industrial e Democrática, a Revolução Educativa descreve um processo de mudança estrutural tanto na concepção do significado de Educação quanto no acesso a ela, pois introduz a ideia de emancipação política, social e econômica das pessoas por meio do acesso universal ao ensino.

Se a revolução industrial propiciou a emancipação da capacidade produtiva individual e se a revolução democrática significou a emancipação política individual, a revolução educativa sintetiza os temas das duas revoluções precedentes: a igualdade de oportunidades e o conceito de cidadania, enquanto acesso geral das grandes massas da população à educação. (Almaraz, 1999, p.1). 

A EAD foi criada como alternativa de acesso à educação formal para aquelas pessoas que não podiam ir a uma escola por diversos motivos: residir em áreas de difícil acesso ou distante de instituições educacionais, trabalhar e não dar tempo de se deslocar até a escola; ter passado da idade estipulada para a escolarização formal, entre outros (Almeida, 2003). Essa modalidade de ensino ganhou força desde o início do século XX, especialmente devido à expansão do setor industrial e de serviços, atingindo seu ápice durante os anos de 1960, quando se vivencia um impulso das telecomunicações, computação e robótica. As instituições educacionais não davam mais conta da demanda por formação de profissionais especializados e a pressão por formação profissional a distância resulta na criação de Universidades a Distância (Almaraz, 1999).

Enquanto a Revolução Educacional contribuiu para a criação da noção de emancipação pela educação e da necessidade da sua universalização, a EAD permitiu o enraizamento e fortalecimento dessa noção. Somando-se a essas, outra revolução, aquela da Informação, trouxe para o contexto educacional as ideias de que:

  1. a informação é a matéria prima da Educação,
  2. a lógica de redes permeia tanto os processos educativos quanto aqueles de construção de conhecimentos;
  3. a Educação e os conhecimentos devem ser flexíveis, capazes de se reconfigurar, reorganizar, reformular;
  4. a Educação precisa acontecer na convergência, integração entre tecnologias.

Nesse cenário, destacam-se os conceitos de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e os Learning Managment Systems (LMS). Esse último também é chamado, em português, de sistema de gestão da aprendizagem, plataforma de e-learning ou sistema de gerenciamento de cursos.

Os dois termos são muitas vezes tomados como sinônimos, mas há possibilidade de diferenciá-los da seguinte maneira: enquanto o primeiro se refere aos espaços virtuais onde relações de ensino aprendizagem podem acontecer, o segundo descreve programas criados para montagem, administração, gerenciamento, implementação e avaliação de cursos no ciberespaço. Os LMS dispõe de uma série de ferramentas, recursos ou funcionalidades, integrados, os quais possibilitam armazenar, gerenciar e distribuir materiais e objetos educacionais, progressivamente e sistematicamente. Esses sistemas também oferecem uma série de tipos de atividades, formas de avaliação e de promoção de interação entre estudantes; permitem registrar e produzir relatórios sobre acessos e uso dos materiais, bem como do desempenho em atividades. Assim, se ao longo do processo de ensino-aprendizagem um professor se utiliza de um blog, de lista de e-mail, de um fórum, uma wiki, em diferentes serviços da Internet, esses se constituem AVAs. Programas como Blackboard, Moodle, TelEduc, Learning Space, CoSE, WebCT e AulaNet, entre outros, são LMS, ao mesmo tempo em que podem se constituir em AVA.

Há uma série de contribuições que os LMS/ AVA trazem para a prática docente, sendo algumas das mais notáveis, simples de experimentar e implementar: a expansão dos momentos e espaços de ensino-aprendizagem, de interação e de colaboração, bem como o acompanhamento da trajetória do aluno nesse espaço. Existem, por outro lado, possibilidades interessantes apesar de dificuldades que podem estar envolvidas em sua implementação, como a possibilidade de adaptar a aprendizagem ao ritmo pessoal (um calendário ou cronograma institucional inflexível impedem isso), personalização do processo de ensino-aprendizagem (coloca o conhecer o aprendiz como pré-requisito à elaboração do curso). Os LMS podem contribuir para promoção de uma aprendizagem autônoma, centrada no estudante, interativa e colaborativa. Entretanto, isso depende da concepção pedagógica subjacente ao planejamento e condução do processo de ensino-aprendizagem (Almeida, 2003). Contudo, educadores e instituições de ensino precisam ficar atentos tanto para não se “entrincheirar em concepções idealistas, negligenciando os recursos técnicos, considerando-os como meramente instrumentais”, como tampouco “se entregar de corpo e alma à inovação tecnológica, sem muita reflexão crítica e bem pouca criatividade, formando não o usuário competente e criativo, como seria desejável, mas o consumidor deslumbrado” (Belloni, 2002).  Como diria Badu, “necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”.

 

Referências:

Almaraz, J. Alguns pré-requisitos funcionais dos sistemas de educação a distância. Madrid: UNED, 1999.

Almeida, M. E. B. Educação a Distância na Internet: abordagens e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e Pesquisa, 29,2, 2003.

Belloni, M. L. Ensaio sobre Educação a Distância no Brasil. Educação e Sociedade, 23, 78, 2002.

Silva, M. L. A urgência do tempo: novas tecnologias e educação contemporânea. In: ____ (org.) Novas Tecnologias: educação e sociedade na era da informática. Belo Horizonte: Autêntica, 2001, p. 11-38.

Zentgraf, M. C. A Educação à Distância, a nova lei do ensino e o professor. Revista Conecta, 1, 2000. Retirado de http://www.revistaconecta.com/conectados/zentgraf_nova_lei.htm, acessado em 31/03/2012.

Moran, J. O que é educação a distância. Rio de Janeiro, 2002. Publicado pela originalmente com o título Novos caminhos do ensino a distância, Informe CEAD – Centro de Educação a Distância. SENAI, Rio de Janeiro, ano 1, n.5, out-dezembro de 1994, páginas 1-3. Retirado de http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm, acessado em 27/03/2012.

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Sobre aninhahaeser

Psicóloga da SEDF, atuando no Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem. Psicóloga, Artista Plástica, Licenciada em Artes Visuais. Interessada pelo desenvolvimento humano, pelos processos de ensino-aprendizagem e por novas tecnologias de informação e comunicação. Encantada pela Arte: visual, teatral, poética...
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